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Mostrando postagens de 2014

Amor de pai e mãe não envelhece

Não sou mãe, pelo menos de um filho gerado por mim. Sou mãe de bicho, mãe de sobrinha, mãe de irmã, mãe de amigo, mãe de amiga, mãe de pai e mãe.... mas esse amor de mãe e de pai, mesmo, não posso dizer o que é. Ouço quem teve esse privilégio dizer que é amor incondicional. Nunca duvidei disso. Na minha família esse amor sempre transbordou e transpareceu, tanto dos meus próprios pais, quanto das minhas irmãs, que são mães, e do meu saudoso irmão, que foi (é) pai. Convalescida de uma enxaqueca das mais bravas dos últimos anos, ontem, tive ainda mais certeza de que esse amor não envelhece, não esmoece, não diminui e nem fica escondido. Depois de horas no pronto-socorro, acompanhada por uma das minhas irmãs (com um cuidado e amor de uma mãe), fui descansar na casa de meus pais. Eles têm suas limitações, pela idade, pelo desgaste físico e emocional e, especialmente, pelos tropeções que a vida lhes apresentou. Mas seu olhar de preocupação, embaixo de toda a tristeza que os acompanha pe...
Carta para um poeta (ao meu irmão Décio) Hoje faz 16 anos que você nos deixou para se juntar a outros poetas lá no céu. Ah, você faz falta por aqui, mas como não somos egoístas, sabemos que o céu precisava de você, de suas poesias, de sua sensibilidade, de sua incrível capacidade de amar os outros... Então, ok, não vamos nos lamentar, e sim, apenas homenageá-lo. Hoje não é o aniversário de seu falecimento, mas o aniversário de sua presença neste outro mundo, ainda tão misterioso pra nós aqui, terrenos, terrestres, terráqueos... Que festa você deve estar preparando por aí, hein? Sim, porque você não é o tipo de pessoa (alma, espírito) que simplesmente é convidado para uma festa, mas prepara algo especial e surpreendente para deleitar os outros: uma poesia, uma brincadeira, uma música. O que será desta vez? O tempo passa, né, meu irmão? Mas as lembranças dos bons momentos com você estão aqui, vivas, em minha memória e no meu coração. Me lembro das composições que fazíamos ju...
Lembranças de uma Copa Não sou ligada em futebol, não acompanho o esporte, mas em época de Copa do Mundo, não tem como não se envolver. Manifestações à parte,”vai ter Copa ou não”, a verdade é que eu fico, sim, na ansiedade de ver os jogos do Brasil, torço muito, comemoro as vitórias e fico triste quando o time perde. A lembrança mais forte que tenho da Copa do Mundo é a de 82. Sim, eu já tinha idade pra assistir, digo que já era adolescente e adorava ver os jogos com minha família, em especial, com o Mingo, meu irmão. Como disse, não entendo muito de futebol, mas o fato é que aquela seleção era espetacular. Não é porque todo mundo falava, mas porque eu via, eu vibrava. Foi naquela Copa do time do Zico, do Sócrates, do Falcão, do Oscar (que minhas irmãs achavam um “gato”), que meu pai, do alto de seus quase 1,90m de altura, fez um furo no forro da sala ao pular com o primeiro gol do Brasil no campeonato, e que ficou lá como lembrança até nos mudarmos da Chácara das Flores. F...
Prova de obstáculos Depois de enfrentar o trânsito de Jundiaí no fim da tarde de uma sexta-feira (sim, Jundiaí tem tamanho pra ter trânsito), filas de espera pra passar embaixo do túnel (sim, Jundiaí tem túnel), “espertinhos” tentando costurar e cortar a frente pra chegar dois minutos antes, Regina, enfim, entra com seu carro no condomínio. “Agora”, pensa, “dá pra relaxar porque o trânsito ficou pra trás. Vou tomar um banho, esperar o Lucas chegar de São Paulo, dar comida pro Brutus e vamos abrir um vinho pra, enfim, curtir a sexta-feira depois de uma semana tão corrida”. Mas ao fechar o portão automático atrás dela (desta vez, funcionou), começa uma verdadeira prova de obstáculos com bicicletas: algumas jogadas no chão, outras, com seus respectivos donos. Bicicletas de todos os tamanhos, assim como seus “pilotos”, em todas as velocidades. Regina pensou, por um minuto, que dona Marilda, a síndica, tivesse enviado algum comunicado sobre o “Dia da Bicicleta”, o dia em que seria ...
Receita de família? Nunca ela fazia menos de 10 pizzas. E não era nas formas redondas que hoje são o padrão que encontramos por aí. Eram tabuleiros retangulares, que rendiam cantos a quem gostasse de massa, como eu, que corria pra pegar logo as fatias das pontas, pedaços com um pouco de borda ou as fatias do meio. A Pizza Napolitana, que minha mãe fazia a partir de uma receita da família (napolitana mesmo, pois meu avô que infelizmente nunca cheguei a conhecer era um italiano legítimo de Nápoles), era o centro de muitas reuniões entre a família e amigos. Aquelas pizzas viram namoros começando, pedidos de casamento, de ombros para chorar, comemorações de aniversário, reuniões de escola e muitos outros encontros com tanta gente que não saberia mencionar agora. Muitas vezes nem era preciso um motivo pra dona Eliza fazer as pizzas. Bastava um tanto de farinha e outros ingredientes que não me atrevo a arriscar aqui, uma mesa pra ficar enfarinhada, boa vontade e tomate, muito tomate....
Vida em Condomínio Até Monet se surpreenderia A pintura das casas têm de seguir um padrão de cores, afinal, é um condomínio. Ok, Regina e Lucas não se importam com isso e até entendem, pois faz todo sentido. Logo que pegaram as chaves da casa, a primeira casa própria do casal, um sonho, precisaram fazer alguns (vários) ajustes, personalizar alguns cômodos a seu gosto e necessidade e refizeram a pintura de toda a casa: por dentro e por fora. Por dentro, bem, cada um é dono de seu quadrado, e resolveram colocar branco “neve”. Depois perceberam que “neve” e “gelo” são ambos gelados, mas não iguais, definitivamente não, especialmente quando se trata de cor de parede de uma casa que tem um cachorro como o Brutus. O ideal mesmo seria pintar tudo de marrom, mas aí ficaria um pouco tétrica. Resolveram fazer textura camurça em uma das paredes de dois cômodos: são as únicas paredes hoje que ainda não mudaram de cor... Do lado de fora, aproveitando a construção da churrasqueira e a...
Dando sequência às crônicas da série "A vida em condomínio"... Se melhorar, piora Eles gostam mesmo é de praia, mas, com um calor destes, por que não aproveitar a piscina do condomínio? É bacana, a água – é o que dizem e eles pagam por isso mensalmente – é tratada com ozônio, o que evita as alergias de Regina com o cloro, e está a dois minutos da porta de sua casa. Puseram a roupa de banho, pegaram toalha, óculos, chapéu e um livro cada um. Ah, Lucas é aficcionado por livros e não deixaria sua leitura nem à beira da piscina – ou muito menos! Os cartões magnéticos, uma evolução que segue as últimas tendências em piscinas de condomínios, segundo dona Marilda, a síndica, não funcionaram. Antes eram carteirinhas, que as mocinhas que ficavam na recepção da piscina recolhiam e, mesmo assim, anotavam os nomes dos moradores numa lista. Depois, misturavam todas sem nenhuma ordem lógica, o que obviamente atrasava a devolução para quem saísse – para ir embora ou apenas po...
Olá! Resolvi quebrar a sequência que havia imaginado para este blog para, em homenagem à chuva do fim de semana, publicar uma crônica que escrevi há quase 15 anos. O tom é mais de emoção do que de bom humor e o texto estava guardado na pastinha do computador e acho que do meu coração também. Semana que vem tem mais história de condomínio. Chuva que lava a alma Depois de um longo período de estiagem, enfim, choveu. A natureza pedia, nossas casas pediam, nosso corpo pedia, minha alma pedia um pouco de água pra lavar a tristeza que tomou conta de minha vida. Aquelas gotas caindo do céu só podiam ser um presente de Deus! Enfim, choveu. 9 de setembro. A redação do jornal estava uma loucura, como sempre. Quinta-feira, 3 da tarde, todo mundo lá dentro: os que trabalhavam de manhã ainda não haviam saído; os do turno da tarde já haviam chegado. De repente, uma reunião de repórteres, editores, fotógrafos, enfim, todos paralisados na sacada a admirar a chuva, uma dádiva e, logicamente,...
Pessoal, estou estreando hoje o blog, com a intenção de dividir algumas passagens, memórias, curiosidades e emoções. A vida em condomínio não é fácil e, talvez por isso mesmo, é uma grande fonte de inspiração para crônicas. Assim, vamos lá. Inauguro agora a série de crônicas Vida em Condomínio. Ah, embora os nomes sejam muito parecidos, as histórias não têm nada a ver comigo, minha família, cachorro, meu condomínio.......  Vida em Condomínio - Crônicas da Taffa A planta nossa de cada dia E eis que, num calor de 34 graus, numa sequência de um mês que não faz menos do que 30 graus nessa terra que costumava ser fresca, o vizinho de Regina chega com uma nota fiscal de R$ 180,00 para rachar as despesas das tais plantas que dividem as duas casas do condomínio. Detalhe: só é permitido plantar o que está estabelecido em convenção do condomínio – sim, existem regras até para as plantas – e o vizinho, que adora jardinagem e tudo, achou por bem colocar uns pequenos arbustos e uma á...