Carta para um poeta (ao meu irmão Décio)
Hoje faz 16 anos que você
nos deixou para se juntar a outros poetas lá no céu. Ah, você faz falta por
aqui, mas como não somos egoístas, sabemos que o céu precisava de você, de suas
poesias, de sua sensibilidade, de sua incrível capacidade de amar os outros...
Então, ok, não vamos nos lamentar, e sim, apenas homenageá-lo.
Hoje não é o aniversário de
seu falecimento, mas o aniversário de sua presença neste outro mundo, ainda tão
misterioso pra nós aqui, terrenos, terrestres, terráqueos... Que festa você
deve estar preparando por aí, hein? Sim, porque você não é o tipo de pessoa
(alma, espírito) que simplesmente é convidado para uma festa, mas prepara algo
especial e surpreendente para deleitar os outros: uma poesia, uma brincadeira,
uma música. O que será desta vez?
O tempo passa, né, meu
irmão? Mas as lembranças dos bons momentos com você estão aqui, vivas, em minha
memória e no meu coração. Me lembro das composições que fazíamos juntos, eu no
violão e você na criatividade da letra e da melodia (e às vezes no violão
também); me lembro das brincadeiras de Natal, quando você conseguia arrumar um
presentinho especial pra cada um de nós, ressaltando as principais
“características” de cada um; me lembro dos momentos repentinos em que você
resolvia inventar algo: um bolo, um boneco de argila, uma arte...
Eu mudei bastante nestes 16
anos, meu irmão. Muita coisa aconteceu de lá pra cá. Já saí de Jundiaí, morei
em alguns lugares (há quem até tenha me chamado de “cigana” e você iria adorar
este apelido), voltei pra cá, comprei uma casa, tenho um labrador, me formei
naquilo que sempre gostei de fazer... é, pensando bem, realizei muitos de meus
sonhos. Mas sei que você acompanhou tudo isso.
Vai lá, meu irmão, termina
de aprontar a festa aí no céu e nós comemoramos daqui, tá? Saudades? Sim.
Tristeza? Não, apenas um sentimento doce no coração que me conforta, me
envolve. Eternamente agradecida por ter participado de nossas vidas. Te amo,
onde quer que você esteja.
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