Lembranças de uma Copa
Não
sou ligada em futebol, não acompanho o esporte, mas em época de Copa do Mundo,
não tem como não se envolver. Manifestações à parte,”vai ter Copa ou não”, a
verdade é que eu fico, sim, na ansiedade de ver os jogos do Brasil, torço
muito, comemoro as vitórias e fico triste quando o time perde.
A
lembrança mais forte que tenho da Copa do Mundo é a de 82. Sim, eu já tinha
idade pra assistir, digo que já era adolescente e adorava ver os jogos com
minha família, em especial, com o Mingo, meu irmão. Como disse, não entendo
muito de futebol, mas o fato é que aquela seleção era espetacular. Não é porque
todo mundo falava, mas porque eu via, eu vibrava.
Foi
naquela Copa do time do Zico, do Sócrates, do Falcão, do Oscar (que minhas
irmãs achavam um “gato”), que meu pai, do alto de seus quase 1,90m de altura,
fez um furo no forro da sala ao pular com o primeiro gol do Brasil no
campeonato, e que ficou lá como lembrança até nos mudarmos da Chácara das
Flores. Foi naquela Copa que eu, o Mingo e a turminha da Chácara fizemos muitas
pipas com as cores do Brasil, construídas em bambu que nós mesmos cortávamos de
lá. Foi naquela Copa que aconteceu uma das festas juninas mais animadas da
Chácara das Flores, com a fogueira tão gigante que dava pra ver lá da avenida
Jundiaí, e cujas bandeiras – que nós fizemos – também levavam o verde e
amarelo.
E
foi naquela Copa que senti a tristeza de uma derrota que ficou marcada por um
bom tempo. A sensação de frustração, quando o Brasil perdeu de 3 x 2 para a
Itália vem facilmente à tona quando aciono minha memória. Eu estava começando a
entender alguns lances e regras do campeonato e aprendi sobre os testes de
dopping. Pronto, minha esperança voltou. Vou confessar algo que nunca contei
pra ninguém: eu torcia para que o exame do italiano Paolo Rossi desse positivo
e o jogo fosse anulado. Que maldade! Era uma maneira de não deixar a chama
apagar, de manter acesa a esperança de ver o nosso time virar campeão do mundo,
afinal, nunca tinha vivenciado esta experiência. Hoje, eu sei, é muito bom
ganhar a Copa e sair pro abraço, pra comemorar!!!!
Aquela
Copa foi, realmente, inesquecível. Ainda ontem meu pai estava se lembrando dos
lances, dos jogos (lógico, com todos os detalhes a que um pai que sabe tudo
sobre futebol tem direito), e eu, daquela tristeza momentânea, que depois
passou com a chegada das férias, uma viagem a Ubatuba e tudo resolvido. De lá
pra cá vieram outras Copas, outras tristezas, outras alegrias. Cada uma com sua
intensidade, seu motivo e todas bem vividas.
Como
é bom ter lembranças assim, mesmo que de um jogo que perdemos, que deixou
tristeza, mas que marcou profundamente um momento tão doce e alegre da minha
vida, com minha família, meus amigos, meu irmão. Bom, nem fiquei com raiva da
Itália e, a propósito, daqui a dois dias sigo de férias pra lá, de onde vou
assistir os jogos do Brasil e torcer como boa brasileira na terra de meus
familiares. Arrivederci!!
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