Café, pão e um grão
“Por que você mora na rua?”, pergunto. Depois do silêncio que acompanha um olhar perdido, Samira me responde, pela primeira vez introspectiva naquela manhã: “Drogas”. Percebo um misto de sentimentos em sua resposta: culpa, medo, tristeza, indiferença. Por que ela teria de dar uma resposta tão sincera a uma pessoa que havia visto pela primeira vez? Rolou uma empatia entre nós, coisa do momento. Fui puxando conversa até sentir uma identificação. Ela já tinha se servido do cafezinho com lanche que entregamos e esperava pela distribuição de roupas. Quem sabe naquela sacola haveria um vestido?! “Faz oito dias que não troco de roupa”, havia dito minutos atrás. Um café, um pão, uma conversa, uma escuta, uma peça de roupa, um ombro - não no sentido literal da palavra, pois guardamos o distanciamento social exigido em épocas de coronavírus. Assim começamos uma ação entre amigos, procurando levar aos que vivem na rua um pouco do que temos para dar. Sabemos que ali há histórias diversas - ...