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Mostrando postagens de outubro, 2020

Eu me preocupo com você

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Não é preciso ter um único personagem pra perceber que as histórias são similares: o vício das drogas, a distância da família – por opção ou abandono -, a sensação de ser invisível. E vamos reconhecendo algo mais em comum entre as pessoas que recebem o café da manhã e outras doações que distribuímos na Praça das Rosas: gratidão. Embora o “muito obrigado” quase sempre seja pronunciado, a gratidão daquelas pessoas é percebida de tantas outras formas! No prazer de sentir o aroma do sabonete do kit higiene de uma forma tão especial como se fosse um caro perfume importado. No brilho dos olhos ao escolher o banco da praça para o deleite do café com lanche, num minuto de paz interior. E até na pressa em sair para um canto para borrifar o desodorante que acabou de ganhar. Vemos que há sorrisos, ainda que escondidos sob as máscaras. Sim, porque agora, em época de pandemia, aprimoramos nossa leitura de olhares! São gestos como estes que nos fazem ter a esperança de que a dignidade é algo que...

Um par de ouvidos

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  “Moça, você consegue um curso de engenharia pra mim?” Poderia ser um par de sapatos, uma muda de roupa, um cobertor ou um café com leite que estávamos distribuindo ali. Na verdade, André já tinha se servido do lanche matinal. Mas em meio a tantos pedidos que ouvimos nos domingos em que levamos um pouco de solidariedade aos moradores de rua, aquele me instigou a ouvi-lo ainda mais. Queria saber de sua história. E talvez ele estivesse precisando apenas de um minuto para falar e alguém para escutar. Nem sei se seu nome realmente é André, pois quando pedi autorização para filmá-lo, disse que era tímido, mas me permitiu fazer a imagem sem que seu rosto aparecesse. Baiano, desviou da pergunta sobre sua idade, mora nas ruas há “um tanto de tempo” e faz bicos em construção civil. “Queria estudar engenharia, continuar a trabalhar com construção civil, aprender um pouco mais pra ver se saio dessa vida”, disse, com o olhar distante. E que vida seria essa? – o perguntei. E novamente a re...