Eu me preocupo com você
Não é preciso ter um único personagem pra perceber que as histórias são similares: o vício das drogas, a distância da família – por opção ou abandono -, a sensação de ser invisível. E vamos reconhecendo algo mais em comum entre as pessoas que recebem o café da manhã e outras doações que distribuímos na Praça das Rosas: gratidão. Embora o “muito obrigado” quase sempre seja pronunciado, a gratidão daquelas pessoas é percebida de tantas outras formas! No prazer de sentir o aroma do sabonete do kit higiene de uma forma tão especial como se fosse um caro perfume importado. No brilho dos olhos ao escolher o banco da praça para o deleite do café com lanche, num minuto de paz interior. E até na pressa em sair para um canto para borrifar o desodorante que acabou de ganhar. Vemos que há sorrisos, ainda que escondidos sob as máscaras. Sim, porque agora, em época de pandemia, aprimoramos nossa leitura de olhares! São gestos como estes que nos fazem ter a esperança de que a dignidade é algo que...