Amor de pai e mãe não envelhece

Não sou mãe, pelo menos de um filho gerado por mim. Sou mãe de bicho, mãe de sobrinha, mãe de irmã, mãe de amigo, mãe de amiga, mãe de pai e mãe.... mas esse amor de mãe e de pai, mesmo, não posso dizer o que é. Ouço quem teve esse privilégio dizer que é amor incondicional. Nunca duvidei disso. Na minha família esse amor sempre transbordou e transpareceu, tanto dos meus próprios pais, quanto das minhas irmãs, que são mães, e do meu saudoso irmão, que foi (é) pai.

Convalescida de uma enxaqueca das mais bravas dos últimos anos, ontem, tive ainda mais certeza de que esse amor não envelhece, não esmoece, não diminui e nem fica escondido. Depois de horas no pronto-socorro, acompanhada por uma das minhas irmãs (com um cuidado e amor de uma mãe), fui descansar na casa de meus pais. Eles têm suas limitações, pela idade, pelo desgaste físico e emocional e, especialmente, pelos tropeções que a vida lhes apresentou. Mas seu olhar de preocupação, embaixo de toda a tristeza que os acompanha pela perda de dois filhos, há anos, da depressão com a qual minha mãe luta desde então, trazia tanta preocupação por minha recuperação que me serviu de remédio.

Amor, carinho, esperança de me ver levantar da cama, mesmo que eu estivesse ali por uma simples enxaqueca. Preocupação em me fazer ficar confortável, escolhendo o melhor travesseiro, o melhor lado da cama deles. De garantir que eu tomasse um prato de sopa, uma xícara de chá, mesmo que não fossem eles que tivessem feito. Exatamente os mesmos sentimentos de quando eu era pequena e ficava doente, quando minha mãe levantava de madrugada preocupada, mas com um sorriso no rosto para não deixar transparecer, e meu pai nos aplicava injeções quando necessário (sim, ele não é médico, mas aprendeu a medicar, pela necessidade, na época).

Enfim, foi mais uma prova de que não importa as feridas que a vida traz, a tristeza de perder um ou dois filhos, o amor de pai e de mãe permanece, não envelhece, não adoece. A depressão ataca a alma, o coração, o corpo, mas não a capacidade de amar incondicionalmente um filho. Obrigada, Deus, por ter o privilégio de receber esse amor!

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