Um traço de felicidade
Interessante como vamos mudando a referência do que é felicidade. Depois de receber um prognóstico extremamente difícil no dia em que trouxe meu pai ao pronto socorro, tudo parecia escuro, sombrio. E realmente foram dias nebulosos, tristes, aqueles seguintes à sua entrada no hospital. Sem esperança de sair com vida naquela primeira noite, ele nos surpreende com um exame ao qual resistiu. Um tantinho de felicidade nos invadiu. Na primeira visita à UTI, saí aos prantos ao vê-lo intubado. No dia seguinte, mais uma dose de felicidade quando extubou (conheci esse termo agora) e acordou. Mas a gente quer mais. Não é legal vê-lo acordado absorvendo toda aquela rotina de uma UTI. E seu Alceu nos presenteia com mais um tanto de alegria ao ser levado para o quarto. Agora estamos aqui, nos revezando entre irmãs, no meio de uma pandemia, e enfrentando cada minuto com uma coragem que, por vezes, é difícil de resgatar. A cada respiração mais profunda, a cada gemido, queremos trocar de lugar com ele ...