Olá! Resolvi quebrar a sequência que havia imaginado para este blog para, em homenagem à chuva do fim de semana, publicar uma crônica que escrevi há quase 15 anos. O tom é mais de emoção do que de bom humor e o texto estava guardado na pastinha do computador e acho que do meu coração também. Semana que vem tem mais história de condomínio.
Chuva que lava a alma
Chuva que lava a alma
Depois
de um longo período de estiagem, enfim, choveu. A natureza pedia, nossas casas
pediam, nosso corpo pedia, minha alma pedia um pouco de água pra lavar a
tristeza que tomou conta de minha vida. Aquelas gotas caindo do céu só podiam
ser um presente de Deus! Enfim, choveu.
9
de setembro. A redação do jornal estava uma loucura, como sempre. Quinta-feira,
3 da tarde, todo mundo lá dentro: os que trabalhavam de manhã ainda não haviam
saído; os do turno da tarde já haviam chegado. De repente, uma reunião de
repórteres, editores, fotógrafos, enfim, todos paralisados na sacada a admirar
a chuva, uma dádiva e, logicamente, uma notícia e tanto para o dia seguinte.
Junto
deles, por um momento, eu me alegrei e esqueci que minha vida havia mudado
completamente fazia uma semana. Ainda me perguntava se Deus era justo ao ter
levado embora meu irmão, meu melhor amigo, meu ídolo, por uma doença que durou
só 4 meses, mas teve a intensidade de uma vida inteira. Seria Deus justo? Ora, questionar
a Deus? Mas que ideia....A chuva, a alegria das árvores, das flores e das
pessoas ao meu redor ao ver a água caindo do céu me trouxeram a resposta: tudo
tem sua hora.
E
foram aquelas gotas d´água que me fizeram, novamente, ver o mundo de uma outra
maneira. A partir desse dia, tudo começou a fazer mais sentido. Ou nenhum
sentido, afinal, talvez não seja preciso haver uma explicação pra tudo.
Simplesmente é assim.
Aprendi
que é mais fácil não procurar algumas respostas, porque você pode não encontrá-las.
Aprendi que nada acontece por acaso, que todos os que passam por aqui deixam um
pouco de si, embora levem um pouco de nós. Aprendi que devemos, acima de tudo,
aproveitar os momentos da vida com quem amamos e que isso faz muita diferença.
Aprendi que nas pequenas coisas – até nas gotinhas d´água – pode haver intensos
momentos de felicidade. E aprendi que tudo pode ser motivo pra ter uma história
pra contar.
(Escrita em 9 de setembro de 1999)
Sempre linda, sempre talentosa, sempre sensível, sempre a minha amiga do 'colação', a Lê! Te amamos, querida! Bjs meus e da Liginha :-D
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